Renina Katz

Renina Katz
31 de janeiro de 2019 Stefânia Sangi

Rio de Janeiro, RJ, 1925

Renina Katz iniciou a carreira com a pintura de retratos e paisagens do Rio de janeiro, enquanto cursava na Escola Nacional de Belas Artes. No início dos anos de 1950,  mudou-se para São Paulo, já com uma pesquisa voltada para os problemas sociais no Brasil. Trabalhou também como professora de gravura no Museu de Arte de São Paulo – MASP, depois na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e, finalmente, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), onde seguiu uma carreira acadêmica por 28 anos e defendeu em Mestrado e Doutorado o tema da gravura. A tese “Lugares”, de 1982, foi a primeira não-verbal realizada na FAU, composta por treze litografias.

Nesse período, produziu duas de suas séries mais importantes “Retirantes” (1948-1956) e “Favelas” (1956), onde retrata os percalços dos moradores e  trabalhadores marginalizados nas grandes capitais do Rio de Janeiro e São Paulo. Nesses trabalhos, é possível identificar uma refinada técnica escultórica, onde o conjunto realista ganhava ainda mais requinte através da dramaticidade exposta pela dualidade claro x escuro. A mensagem era concisa e direta. Preto no branco.

E era justamente por conta dessa emoção que a técnica proporcionava que Renina se sentiu atraída pela a gravura. Segundo ela, o interesse se deu através dos trabalhos japoneses, ainda durante o período estudantil. A situação do pós-guerra, incitou na artista um engajamento político e social, que ela relacionava diretamente aos cortes e incisões das xilogravuras.

A partir de 1950, a artista abandona os assuntos sociais para aos poucos ingressar na abstração, mas sempre mantendo a temática lírica da paisagem. Em depoimento, ela conta como se deu essa transição:

“Lá pelos anos 50 e poucos, como eu era uma geração pós-guerra, a geração libertária da guerra contra o fascismo, aderi à vertente do chamado realismo social ou socialista. Trabalhei no que poderia ser considerado proselitismo: a série das favelas, dos retirantes, dos camponeses sem terra, dos meninos do morro etc… (…) Eu ia aos lugares e trabalhava d´après nature. Da série dos retirantes, uma boa parte dos esboços foi feita na Estação do Norte, em São Paulo (…) aos sábados e domingos eu ia lá e desenhava muitíssimo. (…)
Esse período terminou, e, por uma série de razões, esgotou-se. Eu mudei, era muito jovem, minha perspectiva histórica mudou também, e isso influenciou meu trabalho. Foi uma passagem complicada. (…) Comecei a olhar para fora, comecei a fazer paisagens, a descobrir também a paisagem urbana e, aos poucos, o trabalho foi se transformando. O meu trabalho, que todo mundo acha muito abstrato. . . é relativamente abstrato, porque sempre tem uma referência do entorno, da paisagem… (…) Fiz muitas gravuras em serigrafia, além da tese de mestrado (…) Quando comecei a me dedicar regularmente à litografia, fui muito criticada. Os gravadores diziam que fazia estampa e não gravura (…) Também continuo a fazer gravuras em metal. São trabalhos que não circulam muito”.¹

Renina aprimorou o uso da multiplicação das matrizes para explorar os efeitos cromáticos através da transparência. A partir de 1970 dedicou-se a litogravura e desde os anos 2000 a artista se dedica exclusivamente a práticas mais leves, como a aquarela, devido a problemas de saúde.

 

Referências:

Citado em KATZ, Renina. Renina Katz. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1997, p. 125.

RENINA Katz. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5505/renina-katz>. Acesso em: 14 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.

A XILOGRAVURA em Maria Bonomi e Renina Katz. Revista de Arte e Arqueologia. Campinas, Unicamp, n. 2, p. 311, 1995.

 

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¹ Depoimento de Renina Katz a Laurita Salles. In: Museu da Gravura Brasileira. Curitiba, jun. 1993. p. 8, 10-11, 14-15.