Iberê Camargo

Iberê Camargo
31 de janeiro de 2019 Rafael Kamada

Restinga Seca, RS, 1914 – Porto Alegre, RS, 1994

Há os que classificam o trabalho de Iberê Camargo como sendo expressionista. O artista, no entanto, procurou não pertencer a nenhum viés acadêmico, preferindo desenvolver uma pesquisa independente que o levou a explorar e aperfeiçoar as muitas possibilidades da prática da pintura no Brasil. Dedicou-se a isso desde os treze anos de idade. Ao longo de sua carreira, não apenas se empenhou nos estudos de pintura, como também manteve-se sempre interessado pelas problemáticas contextuais políticas e sociais.

Das primeiras pinturas de paisagem e retratos do começo de carreira em Porto Alegre, Iberê Camargo logo transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a dedicar-se exclusivamente à pintura, principalmente de cenas urbanas. Em 1948, mudou-se para a Europa ao vencer um prêmio com a obra “Lapa” (1947). Ao voltar, e devido a um problema de saúde que o impossibilitou a prática externa, o artista iniciou sua fase mais importante, quando passou a explorar as possibilidades da figuração através da reprodução de carretéis, objetos que foram também brinquedos de sua infância.

Durante três décadas, as formas geométricas do carretel ganharam uma expressividade gestual mais dramática através das camadas espessas de tinta. As muitas possibilidades de representação desse objeto, tanto em termos formais quanto materiais, gradativamente guiou o artista até a abstração. Da gradual desfiguração pictórica dos carretéis temos como exemplo as séries “Estruturas”, com participação na Bienal de Veneza, “Desdobramentos” e “Núcleos”. Esse movimento coerente dentro da própria evolução do trabalho de Iberê Camargo justificou-se, ainda, a partir dos títulos das obras que se seguiram, já que diluíram-se em termos efêmeros e abstratos, como “Ascensão” (1973), “Signo Branco I” (1976) e “Fantasmagoria” (1978), esta que faz parte da coleção FMA e compõe o cenário da Sala 3.

 

“Fantasmagoria”, 1978

Óleo sobre tela

100 x 173

 

Referências:

BRITO, Ronaldo. Experiência crítica – textos selecionados: Ronaldo Brito. Organização Sueli de Lima. Cosac Naify. São Paulo. 2015

www.iberecamargo.org.br