Frans Krajcberg

Frans Krajcberg
31 de janeiro de 2019 Rafael Kamada

Kozienice, Polônia, 1921 – Brasil, Rio de Janeiro, 2017

Frans Krajcberg encontrou no Brasil o que precisava depois de perder toda a família para a II Guerra Mundial. Chegou por aqui em 1948, quando residiu inicialmente no Paraná, partindo em seguida para o Rio de Janeiro. Antes disso, já havia estudado Engenharia e Carpintaria na cidade de Leningrado, na antiga União Soviética, e Artes em Stuttgart, na Alemanha. Em 1951, participou da 1a Bienal Internacional de São Paulo e, em 1957, naturalizou-se brasileiro. Participou, ainda, da XXXII Bienal de Veneza, recebendo o prêmio Cidade de Veneza, em 1964.

Em princípio, tinha na cerâmica o meio de sobrevivência, além de pesquisa voltada para a prática da pintura, com tendência abstrata. Ambas as práticas já traziam a natureza como inspiração. Antes de se instalar no Sul da Bahia, no Sítio Natura, em Nova Viçosa, onde permaneceu até o final de sua vida, Krajcberg passou por um período importante na Europa (1958-1964) e em Minas Gerais (1964-1972), que o aproximou ainda mais da natureza, passando a explorar suas formas e aspectos cromáticos, através de pigmentos naturais. Na Bahia, assumiu um trabalho com caráter mais escultórico, tendo a biodiversidade como fonte de inspiração e o que vem dela como matéria prima. É conhecido não apenas por suas esculturas, mas também por seus desenhos, gravuras e fotografias.

A obra de Krajcberg é vida, sua poética é sobre a vida. Tanto que no final da década de 1970 iniciou um trabalho engajado ecologicamente, adotando um caráter de denúncia e proteção ambiental. Em viagens constantes a Amazônia e Mato Grosso, o artista registrava a agressão em fotografias e coletava os restos de madeira calcinada proveniente das queimadas ilegais para a realização das esculturas. É comum identificar em seus trabalhos as cores vermelho e preto, que para ele representavam fogo e morte.

Não se pode resumir a obra de Frans Krajcberg apenas por seus trabalhos artísticos. Seu ativismo político em nome da preservação da natureza deve sempre ser considerado como um catalizador, com significância primordial para sua prática como artista. Por toda sua trajetória, deixou pronunciado em alto e bom tom um grito de socorro pela preservação do meio ambiente, e pelo amor a natureza. Cada uma de suas obras é um manifesto.

 

Frans Krajcberg. Morre no Rio de Janeiro o artista plástico Frans Krajcberb. Disponível em: https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/morre-no-rio-o-artista-plastico-frans-krajcberg.ghtml. Acesso em 03 Jan 2019.

FRANS Krajcberg. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10730/frans-krajcberg>. Acesso em: 03 de Jan. 2019.

FILHO, João Meirelles. O manifesto do artista brasileiro Frans Krajcberg. Encontrado em: http://envolverde.cartacapital.com.br/o-manifesto-artista-brasileiro-frans-krajcberg/. Acesso em 03 Jan 2019.