Emmanuel Nassar

Emmanuel Nassar
31 de janeiro de 2019 Stefânia Sangi

Capanema, PA, 1949

Emmanuel Nassar estudou arquitetura na Universidade Federal do Pará (UFPA), formando-se em 1974. A pintura e o desenho sempre estiveram presentes em sua obra. No início, trabalhava a tinta acrílica sobre tela e aos poucos foi incorporando outras mídias em sua pesquisa. A partir da obra “Recepcôr” (1982), começou a utilizar pequenos objetos de engrenagens, brinquedos e placas de cor para a realização de seus trabalhos. Além de ter sido professor de Educação Artística na UFPA, também trabalhou com publicidade, influência que se mantém firme em sua busca artística.

 

A obra de Emmanuel Nassar debruça-se sobre as tradições visuais, sejam elas populares ou eruditas. Retira de seu cotidiano, de sua própria história, os elementos para compor sua obra. Sua política de trabalho recai, muitas vezes, sobre a expressão da simplicidade, com referências construtivas e vieses concretos. Desde os anos de 1980, seus trabalhos podem ser identificados pelo uso das iniciais de seu nome, E e N, que no início significavam apenas uma maneira de assina-los, mas que com o tempo adquiriram outros significados, a partir principalmente do “Eu” (E de seu primeiro nome) e do coletivo (N de seu sobrenome ancestral).

 

Já nos anos de 1990, Nassar iniciou uma série de trabalhos com base na bandeira nacional brasileira. Em um de seus mais icônicos projetos, através de anúncios publicitários em jornal, o artista convidou os moradores do Pará a enviar as bandeiras respectivas das 143 cidades do estado para compor “Bandeiras” (1998).

 

Mais recentemente, o artista iniciou uma série de instalações compostas por chapas de alumínio. Normalmente, vemos quebra-cabeças gigantes, formado por peças desconexas e imperfeitas, com suas mensagens dispersas. Cada uma delas parece pertencer a algo conhecido, visualmente familiar, mas é quase impossível identificar. Nessa série, Nassar mistura chapas metálicas sucateadas com outras produzidas para esse fim. Seus formatos quadrados permitem serem adaptadas de acordo com o espaço expositivo, realmente como num exercício lúdico. Cada uma dessas placas guarda resquícios de sua própria trajetória, incorporados ao conjunto do trabalho.

 

 

 

 

Bibliografia

 

NASSAR, Emmanuel. Pinturas. Brasília: Espaço Cultural de Arte Contemporânea, 1987. folha dobrada, il. p&b color.

 

DRÄNGER, Carlos (coord.). Pop Brasil: arte popular e o popular na arte.

 

Curadoria Paulo Klein; tradução João Moris, Beatriz Karan Guimarães, Maurício Nogueira Silva; texto Paulo Klein, Jean Boghici, Ladi Biezus et al. São Paulo: CCBB, 2002. 130 p.

 

AMARAL, Aracy (org.). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Texto Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p.

 

ART Brasil Berlin. In: ARTISTAS brasileiros na 20a. Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989. 111 p.

AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.

 

BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.

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GALVÃO, João Cândido. Popular e suburbano. Guia das Artes, São Paulo: Casa Editorial Paulista, v.3, n.13, p.61-62, 1989.

 

LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.

 

NASSAR, Emmanuel. Bandeiras. Versão em inglês Oswaldo S. Costa; texto Agnaldo Farias, Benedito Nunes. São Paulo: MAM, 1998. [24] p., il. p&b color.

NASSAR, Emmanuel. Emmanuel Nassar: art – Brasil – Berlin. Berlin: Galerie Nalepa, 1990.

 

NASSAR, Emmanuel. Emmanuel Nassar: XLV Bienal Internacional de Veneza 1993. Tradução Stephen Berg. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1993.

O POPULAR como matriz. São Paulo: MAC/USP, 1985. 19 p.

SALÃO ARTE PARÁ, 16., 1997, Belém. Arte Pará: Fronteiras. Curadoria Cláudio de La Rocque Leal, Paulo Herkenhoff. Belém: Fundação Romulo Maiorana, 1997.

 

EMMANUEL Nassar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9547/emmanuel-nassar>. Acesso em: 25 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.

 

SCOVINO, Felipe. Estes nortes. Texto para a exposição “Este norte”, no Centro Hélio Oiticica. Rio de Janeiro, 2012.