Almeida Júnior

Almeida Júnior
20 de junho de 2018 Beatriz Sant'Ana

José Ferraz de Almeida Júnior (Itu, 1850 – Piracicaba, 1899) foi um dos nossos pintores mais ilustres. Morou no Rio de Janeiro, onde estudou na Academia Imperial de Belas Artes, e, posteriormente, em Paris, com a ajuda financeira de D. Pedro II, na École National Supérieure des Beaux-Artes (Escola Nacional Superior de Belas Artes). Residiu também em São Paulo e marcou o ambiente artístico revolucionando o mercado e inspirando outros pintores. Almeida Júnior retratou o cidadão burguês sim, mas destacou-se sobretudo ao trabalhar o homem do interior, o caipira, de maneira crua e real, sem categorizações pitorescas ou cômicas, o que lhe rendeu o título de precursor do Realismo no Brasil. No meio acadêmico ficou conhecido por se utilizar de uma luminosidade solar mais acentuada e paleta de cores mais claras, bem como gestos soltos nas pinceladas.

Na tela “Repouso do Modelo” o pintor retrata, sem dúvida, um ambiente contrário ao do realismo caipira brasileiro. Nota-se um espírito descontraído em um ambiente aconchegante, harmonioso e quase na sua totalidade despretensioso, se o artista não tivesse retratado um pintor e uma prática que lhe era tão familiar. Ao observar o quadro, contudo, há quem lembre de “As Meninas” (1656), do espanhol Diego Velázquez, ou mesmo da espontaneidade impressionista, principalmente pela astúcia em conseguir capitar um ‘snap shot’, um clique momentâneo de uma ação particular, como na fotografia. O lugar aqui sem dúvida não é brasileiro, muito menos caipira, mais parece europeu com seus tecidos cheios de volume e cores quentes, repleto de finos adornos. A moça, figura central da pintura, está de costas para o espectador. Quem está de frente, no entanto, é o próprio pintor. Ele admira a modelo e parece sorrir. Sorrir pra ela ou sorrir com ela.