Nuno Ramos

Nuno Ramos
14 de junho de 2018 Stefânia Sangi

Nuno Ramos (São Paulo, 1960) é artista multimídia, além de ensaísta, videomaker, cenógrafo, etc. Desde o início de sua carreira, trabalha a alquimia dos elementos e das cores, explorando a tridimensionalidade em suas pinturas. O próprio artista define como “quadros cheios de matéria”. Não se trata simplesmente de construção ou acúmulo de objetos, mas, ao contrário, de desconstrução de conceitos pré-estabelecidos e reorganização de significados, para, então, ajustarem-se em uma nova narrativa.

Na obra “Khan, Maledetto e Quadros” (2004), a energia não fica concentrada num único ponto. Ela circula de forma livre e independente através dos objetos que reúne. O olhar do espectador navega por todos os cantos, seguro. Não existe aleatoriedade e isso é captado instantaneamente.

Em “Cal”, o artista explora o conceito dos ingredientes, problematizando-os. A cal é pó, é poeira, mas não é pueril. Pó branco, pó fino, que tinge, que ergue e constrói. Pó vivo, que colocado sobre uma coluna de madeira alude ao mesmo tempo à solidez das construções e às dunas de areia que se deslocam conforme a vontade dos ventos. Mineral orgânico, quase rústico. Minimalismo sustentado por apenas dois elementos, transformado pelo processo artístico em referências subjetivas e poéticas. Basta um sopro e o esqueleto de madeira se apresenta desprotegido, nu e cru.