Marcos Amaro

Marcos Amaro
14 de junho de 2018 Stefânia Sangi

O artista Marcos Amaro (São Paulo, 1984) aborda a estética do conflito em suas esculturas. Ele promove o entrave entre os valores concretos de forma e movimento, e os valores intelectivos e afetivos. Trabalha, dessa forma, a ressignificação de partes sucateadas provenientes de desmanches aeronáuticos em objetos artísticos, cuja interpretação passa então a ser conduzida de acordo com os intermináveis repertórios anônimos dos apreciadores da arte.

Suas esculturas provocam o desmonte do olhar instituído daquele cheio de teorias e retóricas formado a partir de referências históricas e dá lugar aos nossos processos sensoriais, instantaneamente excitados através da brutalidade dos materiais em contraposição à leveza proposta pela afetividade inerente de cada peça utilizada na construção das obras. Essa afetividade quase doce é traduzida tanto por meio de sua própria memória como descendente de aviador, quanto através da tridimensionalidade, cor e movimento inerentes desses objetos.

Essas combinações, que inicialmente parecem aleatórias, acabam por sugerir uma harmonia ao olhar de quem ousa transpor o estranhamento do primeiro momento e insiste por mais do que uns simples minutos de contemplação. O artista combina objetos diversos descartados como partes de aviões, pneus velhos, caixas d’água enferrujadas, canos, etc, numa experimentação peculiar do fazer artístico e da memória afetiva.