José Resende

José Resende
14 de junho de 2018 Stefânia Sangi

José Resende (São Paulo, 1945) sempre explorou a expressividade dos materiais em seus trabalhos. Aqui, o artista trabalhou a organicidade do couro para compor essa obra monumental, que tira o ar. Podemos ver, ou mesmo sentir, os movimentos desse mar acortinado, amarronzado e sujo, que leva diretamente para o árido, o infecundo. Paradoxalmente, através do gesto do artista sobre a obra, tem-se a parafina, elemento que joga um brilho inesperado à peça, mas cristaliza seus movimentos. A sensação agora é de um deslocamento, porém reprimido. Mais um minuto de reflexão e entendemos o recado. Através desta obra, Resende nos impõe um discurso social e político, de comprometimento com o sempre questionar.