Arranque
6 de abril de 2018 Beatriz

Arranque, de Edith Derdyk, promete uma viagem ao passado

Edith Derdyk viaja até Auschwitz, na Polônia, para resgatar a história de seus antepassados no holocausto

 

As portas da Fábrica de Arte Marcos Amaro (FAMA) estão abertas à visitação para a instalação Arranque, de Edith Derdyk – a primeira selecionada do Edital de Ocupação realizado pela Fundação Marcos Amaro – por tempo indeterminado. Foram seis vencedores. Nesta mostra, a artista viaja até a Polônia, país de origem de seus ancestrais, para buscar justiça e uma forma de homenageá-los. Ao exceder os limites da Sala Rolim Amaro, ela revela o sombrio passado da humanidade em memórias instaladas no chão, nas paredes, no céu e no vazio do espaço.

Com linhas que sustentam e suspendem em seu peso e volume, as obras de Edith geram forças de tração entre dois ou mais planos, como as linhas que convocam uma espacialidade instável, dependendo do ponto de vista do observador. “O projeto ARRANQUE colide, de forma estrutural, nos conteúdos que sempre surgem, concretamente, quando realizo uma instalação in loco.”, comenta.

A instalação também revela outras formas de espaço, ao mesmo tempo, tais instalações sempre provocam percepções ambíguas e concomitantes entre leveza e peso, fragilidade e força, assim como delicadeza e brutalidade, gravidade e suspensão. São por entre estas forças de atração e repulsão que resultam o trabalho de Edith. Sempre agregando e propondo situações e visões diferentes em cada situação de um imaginário.

Os trabalhos dela abusam de técnicas e lemas construtivos que se aproximam do ato de tecer, tramar, sustentar e constituir, algo como “tecelagem no ar”.  A palavra “ARRANQUE” contém duplo sentido: extrair por um lado, assim como dar início a algo, por outro lado, contemplando este dinamismo entre forças divergentes e convergentes. Ela completa a ideia dizendo: “a minha pesquisa artística, que tem a linha e suas redes como núcleo poético, se vale de certos procedimentos construtivos: repetição, acúmulo, aglomeração, sobreposição para construir tramas espaciais suspensas no ar, apreendendo suas extensões no tempo e no espaço”.

Entre os materiais usados em suas criações, existe a forte presença do carvão como fonte indispensável e primária de energia. Considerando o espaço físico da Fama, Arranque pretende aproveitar a luz natural que atravessa o espaço ao decorrer do dia, dando ênfase às mudanças de relevo, textura, volume, intensidade. Qualidades dadas pelas alterações de incidência de luz na instalação.

Sobre a Vencedora

Edith Derdyk tem realizado exposições no Brasil (MAM, Pinacoteca, MASP, Paço Imperial, ITO e outras instituições) e no exterior (México, França, Suécia, Alemanha e outros), desde 1981. Já foi contemplada por prêmios e bolsas como: The Rockfeller Foundation, ProAC, APCA, Bolsa Vitae, Fotografia Porto Seguro. Autora de livros, entre outros Formas de pensar o desenho, Linhas de Horizonte. Organizou Disegno.Desenho.Desígnio e Entre ser um e ser mil: o objeto livro e suas poéticas. Coordena a Pós Graduação “Caminhada como Método para Arte e Educação”. Contemplada pelo título Doctora Honoris Causa pelo 17, Instituto de Estudios Criticos/Cidade do México, em 2017.