Missão Francesa | André Penteado

Missão Francesa | André Penteado
25 de outubro de 2017 Beatriz Sant'Ana

André Penteado propõe reflexão sobre a invasão cultural francesa no Brasil em fotolivro e exposição

Segunda publicação da trilogia Rastros, Traços e Vestígios, Missão Francesa procura no Rio de Janeiro atual resquícios de uma formação que se iniciou em 1816. Mostra individual na Zipper Galeria fica em cartaz até dia 16 de agosto

André Penteado fotografou o Rio de Janeiro de fevereiro de 2015 até janeiro de 2017 para o segundo livro da trilogia Rastros, Traços e Vestígios, lançado em julho com exposição na Zipper Galeria. Missão Francesa busca relacionar passado e presente a partir da formação de artes no Brasil, pelos franceses, em locais emblemáticos como o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu D. João VI e a Praça XV, e a personificação do que esse processo representou, em retratos de alunos e professores da Escola de Belas Artes da UFRJ, retratos de descendentes de Nicolas-Antoine Taunay e desenhos, pinturas e esculturas dos artistas que compuseram a Missão, assim como de seus alunos, pertencentes aos acervos das instituições visitadas.

Com a série, o artista pretende retratar cinco temas da história brasileira. Já concluiu dois – Cabanagem (2014) e Missão Francesa (2017) – e tem um em andamento –Farroupilha, previsto para o próximo ano. “Não sou historiador e não pretendo explicar os processos. Minha intenção é gerar uma sensação do presente a partir de vestígios do passado”, reflete.

André Penteado, no entanto, afirma haver um paralelo entre historiadores e fotógrafos: “Ambos partem da realidade, mas suas construções são sempre ideológicas”. Em uma dessas construções, ele questiona a importação de matrizes para sanar questões nacionais. “No Brasil, ainda hoje vinga o ideário de que a importação de modelos podem resolver nossos problemas”, ele afirma.

Em seu método próprio de investigação, André se aproxima do trabalho arqueológico. “Eu junto as imagens e busco uma conexão entre elas, experimentando relações, em tentativas e erros, para formar alguma coerência narrativa”. Esta abordagem “técnica” fica evidente nos aspectos formais dos trabalhos. Produzidas com tripé e uso de flash, as fotografias remetem às máquinas automáticas. São duras, estruturadas, cruas – o que, propositalmente, transmite a racionalidade com que o artista confronta a realidade. “Os temas são complexos e envolvem muita paixão. Eu busco o oposto no meu trabalho. É quase uma fotografia forense”, analisa.

Trabalhos da mesma série estão também na mostra coletiva Antilogias, em cartaz na Pinacoteca do Estado até 7 de agosto. Ainda neste mês, o artista realiza uma exposição individual sobre a Missão Francesa no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, que abriga a mais importante coleção sobre o período. Na Zipper, Missão Francesa fica em cartaz até 16 de agosto e tem texto crítico assinado por Moacir dos Anjos.

Sobre o artista

A obra de André Penteado (São Paulo, 1970) se baseia na ideia de que a fotografia, dada a sua banalidade no mundo de hoje, é uma das mais interessantes e complexas mídias para o desenvolvimento de trabalhos de arte. Produzindo desde 1998, o artista já realizou nove exposições individuais e participou de mais de vinte coletiva no Brasil, Argentina, Espanha e Inglaterra, onde viveu por sete anos. Em 2013, venceu o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger com o trabalho O Suicídio de meu pai; em 2014, teve seu projeto Tudo está relacionado selecionado para o Rumos Itaú Cultural 2013-2014. Tem quatro fotolivros publicados: O suicídio de meu pai (2014), Cabanagem (2015), Não estou sozinho (2016) e Missão Francesa (2017).

Apoio

Fundação Marcos Amaro