Doisneau – Uma Paris nos anos 30

Doisneau – Uma Paris nos anos 30
24 de janeiro de 2010 Zwei Arts

A vida pulsante acontece mesmo é nas ruas, desprovida de ensaios o acaso nos devolve nas surpresas o inusitado que podemos encontrar. Talvez Doisneau pensasse assim quando seus olhos perseguiam  fragmentos do cotidiano, de simplicidade e beleza, de uma realidade de como ele gostaria que o mundo acontecesse.

“Eu não fotografo a vida como ela é, mas a vida como eu gostaria que fosse.”

Robert Doisneau nasceu em 1912 em Gentilly no Val-de-Marne, perto de Paris. Estudou gravura e litografia  e  passou a trabalhar na fotografia e publicidade na década de 30.

Apaixonado pelas ruas, com sua Leica, fotografou de forma lúdica e irônica uma Paris excêntrica do século 20, exuberante em vida, amores e cafés. Mergulhando na essência das ruas do povo francês e na contemporaneidade de sua cidade, fotografando a fragilidade humana de crianças e adultos nas diferentes classes sociais.

É ali no duro asfalto cinza, que a aspereza se dilui nos retratos em preto e branco. A rua é feita de gente com todas contradições de momentos lúdicos e o humor surreal liberado na vida. Doisneau mais do que atraído para as imagens do cotidiano, entendia isto, e, gostava de fotografar a liberdade encontrada nas crianças brincando, numa época que havia mais segurança e poucas preocupações para brincadeiras nas calçadas

 

Do nada o calor de um beijo, pela luz derramada nas elegantes capas, boinas e gravatas, dá para sentir o o sopro de um ar frio. Era 1950, e Doisneau estava lá não deixando escapar à sua lente a intensidade de sentimentos,  mesmo sendo um beijo encenado, e, neste exato momento nasce a sua obra mais conhecida – Le baiser de l’hôtel de Ville  (Beijo no Hôtel de Ville).

O retrato de um amor jovem se beijando numa rua movimentada, tem sido reproduzida milhares de vezes ao longo dos anos, eternizando a magia de Paris como “a cidade do amor”. Permanecendo a identidade deste casal um mistério até 1992.
A primeira reprodução de Le baiser de l’hôtel de Ville, aconteceu em 1986, de lá para cá já atingiu os números de 400 mil cartões e 500 mil cartazes impressos.

 

Mesmo movimentando-se na fotografia de uma forma autodidata, teve influência  de André Kertész, Eugène Atget, e junto com Henri Cartier-Bresson, são considerados os pioneiros do fotojornalismo. Passou por agências de fotografias e revistas notáveis como Magnum e Vogue, fotografou celebridades, mas nada comparado ao seu amor na fotografia de rua, materializando sua obra em mais de 20 livros.

 

Autora: Lana de Oliveira